O Campeonato Nacional de basebol decide-se
amanhã, a partir das 14:30, entre "os
grandes" Académica de Coimbra e Tigres de
Loulé, no único campo com requisitos
oficiais existente no país, na cidade de
Abrantes.
O jogo marca o reencontro entre "velhos
rivais", simultaneamente "os grandes do
basebol português", que perseguem o sexto
título nacional, pois têm ambos cinco
vitórias na competição, como recordou à
Agência Lusa a presidente da Federação
Portuguesa de Basebol e Softbol, Sandra
Monteiro.
Segundo o presidente do clube
algarvio, José Gonçalves, Académica de
Coimbra e Tigres de Loulé chegaram à final
depois de "um campeonato equilibrado" com 16
equipas, seis delas da Região Autónoma da
Madeira, que proporcionou "a final habitual,
entre equipas equivalentes e com igualdade
de probabilidades de vencer".
O conjunto de Coimbra tem "ambição de
ganhar o título", garante o presidente da
secção de basebol da Académica, José Dias,
que vê a tarefa dificultada pela época do
ano, uma vez que "60 por cento dos jogadores
são universitários que conciliam, com
dificuldade, o ano lectivo com a temporada"
desportiva da modalidade.
O basebol é um desporto com pouca
tradição em Portugal, onde actualmente há
600 jogadores seniores federados, que o
praticam de forma amadora e em campos
relvados adaptados à modalidade, geralmente
com recurso a marcações temporárias.
As infra-estruturas são preocupação comum
aos dois finalistas:
A Académica utiliza o Estádio
Universitário, "onde tenta ganhar mais
espaço", segundo José Dias, enquanto José
Gonçalves aguarda a "concretização do Parque
das Cidades de Loulé e Faro (onde está o
Estádio Algarve), que contempla a construção
de um campo de basebol".
A divulgação da modalidade tem mais força
nas regiões de Lisboa, Porto, Coimbra e
Madeira, muito por influência de antigos
emigrantes na Venezuela e do interesse de
vários professores de Educação Física. A
excepção é a Académica, clube no qual o
basebol que tem raízes universitárias.
A presidente da Federação não consegue
quantificar o número de jovens praticantes,
mas assegura que existem muitas equipas e
escolas a praticar a modalidade.
Por isso a Federação promete "criar
campeonatos para os escalões de formação" e
"dinamizar" o projecto nacional de
informação, formação e divulgação da
modalidade denominado Academia do Basebol,
que está centrado em Abrantes e "vai
organizar demonstrações e competições em
todo o país".
A aposta visa sobretudo captar jovens
para o basebol e formar técnicos e árbitros,
"porque até agora, muitas vezes, são os
próprios atletas seniores que dirigem as
camadas jovens", sublinha Sandra Monteiro.
As raízes sul-americanas fazem-se sentir
no Tigres de Loulé, que foi fundado por
filhos de emigrantes na Venezuela, os quais
formam a maioria dos 33 jogadores activos no
clube. A equipa algarvia tem também
jogadores norte-americanos, um filipino e um
sul-africano.
Nos Tigres de Loulé todos os jogadores
são amadores, mas José Gonçalves destaca a
presença no plantel de um antigo
profissional na Venezuela, país "onde o
basebol é o desporto número um".
A Académica já teve jogadores
profissionais, mas "actualmente o mais
experiente" dos 25 elementos do plantel é o
treinador e jogador, de nacionalidade
inglesa, "que já participou em competições
internacionais, como os pré-olímpicos".
Apesar de a predominância ser dos
portugueses, o clube de Coimbra tem ainda
jogadores oriundos da Venezuela e de França.
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=8620